Com custos até dez vezes menores que as tarifas cobradas por concessionárias, a dessalinização da água desponta como alternativa economicamente viável para o abastecimento hídrico da indústria brasileira. Estudo da CNI - Confederação Nacional da Indústria indica que o custo da água dessalinizada no país varia entre R$ 2,63 e R$ 4,21 por metro cúbico (m³). Em comparação, as tarifas industriais podem alcançar patamares mais elevados, como no Rio de Janeiro, onde o preço do metro cúbico chega a R$ 43,29. 

As tarifas de água e esgoto industrial são os preços pagos pelas indústrias às concessionárias de saneamento, públicas ou privadas, para receber água potável e para a coleta e o tratamento dos efluentes da produção. Esses valores costumam ser mais altos do que os cobrados de residências, porque as indústrias consomem grandes volumes de água e precisam cumprir exigências adicionais de qualidade e de tratamento dos resíduos antes do descarte na rede pública.

Para o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, a adoção da tecnologia amplia a autonomia do setor produtivo e reduz a exposição a cenários de escassez. “A dessalinização permite que a indústria desvincule o crescimento da disponibilidade limitada de água doce e garante previsibilidade às operações, mesmo em situações de pouca oferta ou quando ocorrem eventos extremos, como secas prolongadas”, afirma.

A dessalinização consiste na remoção do sal e de outros minerais da água do mar ou da água salobra, o que viabiliza o seu uso para consumo humano e atividades produtivas. A água salobra é aquela que apresenta uma quantidade de sal maior do que a água doce e menor que a água do mar. Esse tipo de água é encontrado, principalmente, em estuários, regiões costeiras e aquíferos subterrâneos. 

O método mais usado atualmente é a osmose reversa. Nesse processo, a água passa por membranas semipermeáveis sob pressão, capazes de reter sais e impurezas dissolvidos. 

Em diversas regiões do mundo, a dessalinização da água se tornou a solução para a manutenção da vida e da atividade econômica. Na Arábia Saudita, país com maior dependência da tecnologia, o processo responde por mais de 86% do abastecimento de água potável, agrícola e industrial, com capacidade instalada de 12,5 milhões de metros cúbicos por dia. Já em Israel, a dessalinização é responsável por cerca de 80% de toda a água produzida no país.

Segundo o Banco Mundial, mais de 150 países usam essa solução para atender aproximadamente 300 milhões de pessoas. No Brasil, devido à falta de regulação, não há uma estimativa consolidada da capacidade de dessalinização da água.

O país possui vantagens competitivas relevantes, diferentemente dos países do Oriente Médio que enfrentam condições naturais extremas.

Os efeitos da dessalinização já se manifestam de forma concreta tanto na indústria quanto em territórios brasileiros com restrição hídrica. No setor industrial, a tecnologia garante autonomia no abastecimento e reduz a exposição a crises hídricas. 

No Espírito Santo, a maior planta de dessalinização em operação no país atende a uma demanda equivalente à de uma população de 80 mil pessoas. A iniciativa assegura previsibilidade operacional em uma região com elevada concentração de atividades industriais.

O estudo da CNI também destaca experiências no setor de mineração, sobretudo em áreas com oferta limitada de água doce. Nesses casos, a dessalinização viabiliza a continuidade das operações e reduz a pressão sobre mananciais locais e os riscos associados à variação climática. A tecnologia também contribui para fortalecer a relação das empresas com as comunidades do entorno. 

Além do uso industrial, os impactos alcançam economias locais dependentes do turismo e de serviços. Em Fernando de Noronha, a construção de uma usina de osmose reversa aumentou a oferta de água em 122% e eliminou o racionamento. O ganho de segurança hídrica criou condições para a expansão da atividade turística e resultou em crescimento de 69,4% na receita do setor. 

Apesar do custo competitivo e da maturidade tecnológica, o estudo aponta a necessidade de avanços no ambiente regulatório. A complexidade do licenciamento ambiental e a ausência de um marco legal específico para o descarte da salmoura ainda criam incertezas e podem atrasar novos investimentos. 



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